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Orai e Vigiai- Prática para um caminho mais fácil

Postado em: Sem categoria | Autor: Débora Quinaud

Olá querido visitante!

Fico feliz em partilhar uma lição que está me ajudando muito nos últimos dias. E sei que ajudará a quem este texto chegar! Todos os que adentram o caminho ativo do auto-conhecimento, a uma certa altura, passadas algumas trincheiras, começam a se sentir mais seguros e confiantes em sua capacidade de discernimento. É ai que precisamos de um cuidado especial.

A cada descoberta de medos inconscientes, visões de mundo engessadas, criamos um novo platô. Como um escultor em face de um bloco inteiriço e disforme, marretamos  e removemos a parte mais ” bruta” e superificial, por assim dizer, de nosso universo . E começamos a adentrar em um espaço sutilmente  mais rarefeito, no qual a ferramenta para continuidade do trabalho- a consciência-  necessita  se tornar cada  vez mais delicada e precisa.

Diferentemente do que já imaginei, quanto mais desbravamos, mais intenso e exigente o caminho da vida se apresenta.Ele se mostra cada vez mais  repleto de desafios, reflexo direto  de nosso maior preparo, após o abandono de algumas bagagens desnecessarias. Tornamo-nos  mais leves, menos suscetiveis a topografia de nossa vida, pois passamos a contar com um intento cada vez mais forte e menos abalável.

No entanto, as ilusões  criadas pelo nosso ego começam a atingir um nível  cada vez mais sofisticado. Muitas vezes, por ainda  ficarmos pouco a vontade com uma vida de menos paradigmas e certezas, ainda cabaleantes pelo vazio deixado por pensamentos ultrapassados, podemos nos tornar presas fáceis de nosso refinamento. Neste momento, podemos nos arrefecer a alguns pensamentos, crenças e visões de mundo ainda mais profundos,  aqueles que acreditamos, finalmente, serem o trigo separado do joio, aquilo que nos servirá de guia. O véu de Maya mostra-se  cada vez mais transparente, o que nos permite ver a realidade com mais clareza, mas como contrapartida, também este véu se torna mais refletor, para nos cegar com nossa própria luz ou nos confundir com nossa própria imagem.

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Como?  A luz  por nós emanada e refletida no véu é tudo aquilo que temos de mais forte e melhor, que sentimos ter desenvolvido de forma positiva (empatia, carisma, compaixão, entendimento, resiliência, paciência, tolerância, etc).Isto porque mesmo partes da nossa pura e elevada essência podem ser desvirtuadas se enaltecidas excessivamente por vaidade/orgulho, os pais dos demais pecados (prazeres?) capitais. Já o reflexo de nossa imagem nos confunde pois o que vemos É o que SOMOS (ao menos enquanto identificados com o ego). Somos constantemente envoltos nos véus de Maya quando apanhados pelas nossas visões de mundo  ainda tacanhas, que nos confundem e impedem de vermos/sermos toda nossa plena  magnificência.

Após uma noite na qual minha mente se deleitou em um mar de pensamentos ruins, críticos, que demonstravam toda minha resistência em aceitar o que a “vida” me apresentava( ou seja, de acordo com MINHA IMAGEM-forma de ver),  experimentei um sonho muito profundo.

Caminhava por uma rua a qual já havia passado, na qual so haviam homens  e, para evitar dois deles, sai da calçada. O céu mostrava um entardecer enegrecido por uma tempestade a caminho. Olhei para trás para ver se talvez aqueles individuos nao estariam me seguindo. Queria escapar dali. Andando apressada e desconfiada, precisava chegar em um local que parecia ser um nível acima de onde eu estava. De repente se fez noite muito escura e eu podia mirar o brilho de um poste neste “andar de cima”. Comecei a escalar um paredão de pedras, que começaram a ser muito grandes e eu não conseguia continuar. Olhei para baixo, escuridão.As pedras começaram a se mover e fui tomada por um sentimento de não me importar por  cair, uma desistência orgulhosa e desdenhosa, pois o tombo não haveria de ser muito grande. Meu corpo começou a cair com as pedras, e logo percebi, para meu desespero, que estava sendo engolida por um buraco negro. Caindo numa profunda escuridão,minha voz faltou e eu simplesmente sabia que lá ninguém me ouviria e de lá não sairia. Acordei sobressaltada, no meu quarto escuro. Orei uma prece pessoal, agradeci a mim mesma, minha equipe e a quem mais me mandou este “recado” e me manteve protegida durante esta empreitada.E percebi que não me “vigiei” na noite anterior.

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Este sonho foi muito claro: me permiti entrar numa torrencial de pensamentos destrutivos, alimentada tanto pelo reflexo da luz quanto da minha imagem nos véus de Maya. Não vigiei, abandonei a consciencia/presença, nadando em piloto automático, inconsciente do mal que me fazia. Compreendi que, em uma certa altura da caminhada, quando fazemos isto conosco, não voltamos ao nível que estavámos.Quando caimos,  caimos ainda mais. Pois ao adentramos nesta área “rarefeita”, vivenciar momentos de profunda inconsciência e negação do que é acarreta mergulhos em locais ainda não iluminados, que demandam o uso constante e persistente da consciência (eu superior, presença, o que cada um nomear por).  Senti no meu profundo íntimo que  o sonho me proporcionou uma pequena “mostra” do lugar que nutrir aqueles pensamentos poderia me levar. A força do intento, lapidada pelo trabalho constante de observação compassiva e acolhimento de minhas feridas me permitiu não submergir. No fim, tornou-se  um passeio bastante interessante com lições muito valiosas.

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Oremos  (friso, sem conotação religiosa),  agradecendo sempre a  tudo e a todos e peçamos aquilo que a alma necessita, para que se menifeste cada vez mais autenticamente. Para isso, vigiemos, percebendo nossos pensamentos, como nossa mente trabalha, a partir de que parametros ela vem operando, questionemos nossas dores, zonas de conforto, nossas”razões”, “certezas”, opiniões, motivações. Permitamos que as emoções apareçam, mostrem o que esta acontecendo dentro de nós e as libertemos para que não nos tornemos seus escravos. Assim, fortaleceremos  o nosso intento,  manejaremos as velas de nossa embarcação, aprumaremos o rumo em direção àquilo que almejamos, não ao que tememos e queremos evitar. E lembrem sempre: nunca estamos sozinhos, se estiver dificil, sempre há quem possa ajudar.

 

Beijos no coração

Débora

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Comentários
  • Comentário de johnny armando gomes da silva — 18/12/2015 — 23:57

    Débora, a abelhinha! (carrega consigo a representação da alma, da sabedoria, da ressurreição, da vitória, entre outros), teu nome diz muito…

    Incrível o teu sonho, ele tem muitos aspectos semelhantes com um que tive. Eu estava no sopé de um alto penhasco formado por pedras pontiagudas e frias e lá de baixo eu enxergava vários patamares como degraus onde comecei a escalar, a subida era difícil, árdua e a cada patamar eu olhava para baixo vendo o que eu tinha vencido.
    No primeiro patamar senti que havia me purificado, estava limpo novamente ( pura verdade na realidade, vai de encontro a um problema meu ), no segundo, em razão da lucidez que o avanço do patamar anterior me dava, percebi que minha mente estava aberta (uma sequência lógica do meu estado físico e emocional), no terceiro, a limpeza do corpo somada a abertura mental me proporcionava um coração puro, estava apto a amar novamente. No quarto patamar olhei e vi que tinha transformado minha inteligência em algo ardente, havia disposição, vontade, ânimo, motivação. A escalada até ao quinto foi mais penosa, mas me contemplou com uma clara percepção espiritual (sem qualquer conotação religiosa). Simples percepção…
    Os outros degraus eu não atingi, eram muito íngremes, escorregadios, no entanto eu sentia que se avançasse seria muito bom para mim. Porém, o véu de Shopia estava denso demais, ocultava os perigos, as armadilhas, eu não tinha as ferramentas necessárias para tal empreitada e ainda não as tenho. Eu me atrevi a querer subir mais esse degrau, escorreguei, caí, me machuquei e acordei sobressaltado.
    Esse sonho ou talvez, reminiscências de algo já lido ou ouvido me remete à uma ideia de “ponte” oculta que há em cada indivíduo humano, e cuja função é ligar o seu eu inferior ao seu eu superior; sua alma mortal à alma imortal. O nome dessa ponte em sânscrito: Antahkarana. De certa forma. venho fazendo desse sonho um mantra, uma oração, procurando aprender sobre eu mesmo, vigiando-me.
    Sei que a inteligência é imparcial: ninguém é teu inimigo; ninguém é teu amigo. Todos são teus instrutores. Por isso, muito obrigado, Débora!

    Abraços fraternos!

  • Comentário de Débora Quinaud — 05/01/2016 — 20:22

    Nossa, muito interessante teu sonho. Reconhecer nossos méritos, sempre com humildade, mas com a devida reverência ao nosso esforço e crescimento em nosa reconectar com nossa divindade sinto que fomenta e nos estimula ainda mais ir além…Muito bonito este teu reconhecimento em sonho de patamares já galgados na tua existencia…Sinto que nestes patamares que já desbravastes estão as ferramentas para o próximo…. tvz dê mais uma sentada e contemple o quinto partamar, algo deve chegar ali para ti… ;) Forte abraço e mais uma vez grata por teu partilhar tao enriquecedor!

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